Robôs
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Você sabe distinguir o comportamento de robôs nas redes sociais? Inicialmente usados para otimizar a integração com o público, eles passaram a ser armas para disseminação de fake news e até mesmo de ataques terroristas. São causadores de verdadeiros estragos na reputação dos usuários.

Com essa mudança de perfil, a remoção de robôs das plataformas digitais passou a ser uma realidade no universo dos gigantes das redes. Além do Twitter, o Youtube também decidiu eliminar os robôs da plataforma. A “limpa digital” também pode ser realizada por usuários em suas próprias redes sociais, basta observar padrões e detectar comportamentos considerados distintos do engajamento comum na internet.

Nos Estados Unidos, conteúdo produzido por russos e difundido por meio de pessoas que não eram verdadeiras, alcançou quase 126 milhões de americanos no Facebook durante as eleições de 2013. A plataforma teve que submeter esses dados ao Senado americano.

O perigo cresceu porque a tecnologia e os métodos evoluíram dos robôs, softwares com tarefas online automatizadas, para os “ciborgues” ou “trolls”, que não passam de contas controladas diretamente por humanos com ajuda de sistemas automatizados.

Hoje temos que nos imaginar em uma linha onde em uma ponta estejam robôs e, em outra, humanos. Entre as duas pontas, especialistas apontam a existência de ciborgues, “robôs políticos”, “fakes clássicos” e “ativistas em série” antes de chegarem a pessoas de verdade.

Acontece que robôs estão por todas as partes e espalhados pelas redes sociais. O que não significa necessariamente que todos estejam fazendo coisas ruins: entre os que são “bonzinhos” estão aqueles que automatizam o compartilhamento de notícias de veículos de imprensa e os que auxiliam consumidores em atendimentos virtuais.

Você sabe distinguir o comportamento de robôs nas redes sociais? No artigo de hoje vamos te ajudar nessa difícil missão. Vem com a gente...
Para detectar os robôs nas redes sociais, é preciso observar comportamentos fora da curva

Como identificar os robôs?

Para conseguir identificar melhor os robôs, é preciso entender o que eles são e como agem. Pesquisador da área de Democracia e Tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS), Diego Cerqueira, explica que os robôs são um fragmento de tecnologia.

Segundo ele, “o robô é criado por um humano através de uma linguagem de programação, em uma língua que o computador consegue entender. É uma forma de os humanos construírem um diálogo com a máquina, e fazer com que a máquina execute algumas ações”.

Cerqueira questiona: “o que o robô estaria executando como tarefa no lugar de um humano? No contexto das redes sociais, eles podem construir e espalhar narrativas, criar bolhas de conteúdo e disseminar desinformação. É esse o perfil que as plataformas estão procurando remover”, responde.

Para detectar os robôs nas redes sociais, é preciso observar comportamentos “fora da curva”. De forma simplificada, nada mais é do que tentar entender quais são os padrões dos usuários humanos nas redes sociais, e identificar como um robô faria as mesmas atividades, de forma muito mais ágil, e com comportamentos suspeitos.

O grande desafio é tentar separar os robôs assumidos dos não assumidos. Diego Cerqueira explica que a presença de robôs é permitida pelas plataformas, desde que eles sejam os “robôs do bem”, como são conhecidos no universo tecnológico. A primeira tarefa é “classificar esses robôs em assumidos e não assumidos”, diz o pesquisador.

E ele continua: “existem robôs que estão dentro do Twitter, que não são removidos, porque eles fazem parte dos robôs que se identificam como robôs. Eles têm uma função de avisar ou espalhar mensagens que são permitidas pela plataforma, eles estão cumprindo uma função da tecnologia e não estão infringindo as regras”, diz.

Uma forma de distinguir os robôs é analisar características de ampliaçãoperformance e sucesso do conteúdo. Observe também o tempo de interação, quantidade de postagens, o intervalo do conteúdo produzido, quantas palavras por segundo, o intervalo entre uma postagem e outra e se o conteúdo é repetitivo.

Uma forma simples de detectar robôs é observar se o nome do perfil é muito aleatório, se combina uma quantidade de dígitos, se o nome do perfil é muito diferente do nome do usuário. “Pode também observar a foto, fazer uma pesquisa reversa na internet, para ver se essa foto já foi utilizada em outros perfis, se é de um banco de imagens. Falta de foto também chama atenção”, alerta o especialista.

Também existem os “robôs políticos“. Tratam-se de perfis de militantes que autorizam que suas contas sejam conectadas a páginas de candidatos, campanhas ou partidos políticos. Por meio de automatização, “suas contas passam a curtir postagens”, diz Dan Arnaudo, pesquisador da Universidade de Washington, nos EUA, e do Instituto Igarapé, no Rio, especialista em propaganda computacional, governança da internet e direitos digitais.

A prática adotada por esses perfis é uma espécie de ciborguização para aumentar a quantidade de visualizações ou compartilhamento de uma publicação, em que um político usa um exército de pessoas que se habilitam a postar por ele.

Você sabe distinguir o comportamento de robôs nas redes sociais? No artigo de hoje vamos te ajudar nessa difícil missão. Vem com a gente...
Alguns robôs são mais refinados tecnologicamente e passam a ter uma identidade, como se fossem uma pessoa real

Como denunciar robôs do mal

Rodrigo Xavier, CTO do TagChat, explica que, depois de identificar as características do possível robô, a forma mais prática de prosseguir com uma denúncia é clicar na conta, se direcionar para o ícone “denúncia”, descrever na rede social o ocorrido e finalizar em “denunciar”. Muitos usuários se queixam da demora para obter uma resposta ou na falta de ação por parte das plataformas.

O tempo de resposta varia de rede para rede. Depois de feita a denúncia começa o processo de análise, verificação dos perfis e da veracidade da informação. Esses processos, geralmente, vão de 3 a 10 dias. Caso a resposta seja negativa, é possível insistir na denúncia. “O melhor jeito é fazer uma denúncia em massa, com grupos denunciando uma mesma conta”, afirma Xavier.

Evite ao máximo se comunicar com robôs, é importante que não haja interação com eles nas redes sociais. Além de gerar engajamentos para perfis que disseminam informações incoerentes, estes perfis podem ser disruptivos para os computadores. A recomendação é instalar programas para proteger as máquinas e manter o sistema atualizado.

“Instale firewalls para bloquear ataques maliciosos e não os desative. Outra dica é usar senhas longas e complicadas, que misturem númerosletras e símbolos. Por falar em senhas, não use a mesma para diversos programas e contas”, alerta o CTO do TagChat.

Rodrigo Xavier ainda indica a “utilização de softwares antimalware de alta qualidade para a proteção do dispositivo e checar se o software está atualizado, caso não esteja, o atualize e não ignore atualizações do sistema. Caso o computador seja infectado, evite o uso de pen drives e unidades flash neles”, completa Xavier.

E por falar em senhas,  já parou para pensar em quantos dados você fornece à empresas na sua rotina diária? Com o mundo cada vez mais conectado, cresce todos os dias a necessidade de aumentar os cuidados com a segurança dos dados. Para saber mais sobre o assunto, basta clicar aqui.

Esbarrando na justiça

Alguns robôs são mais refinados tecnologicamente e passam a ter uma identidade, como se fossem uma pessoa real. Neste contexto, um problema em especial salta aos olhos: a potencial concessão de personalidade jurídica a máquinas dotadas de inteligência artificial.

Um caso que abriu precedente para a concessão de personalidade aconteceu em 2017, quando foi concedida a cidadania árabe a um robô com I.A. Desenvolvida pela Hanson Robotics, Sophia recebeu a notícia durante o fórum Future Investment Initiative, na Arábia Saudita, que reúne investidores e desenvolvedores do mundo inteiro.

Ao receber a notícia do jornalista Andrew Ross Sorkin, do New York Times, Sophia agradeceu ao reino da Arábia Saudita, disse estar “muito honrada e orgulhosa por essa distinção única. É histórico ser o primeiro robô no mundo a ser reconhecido com uma cidadania”.

Naturalmente, o reconhecimento do status de cidadã árabe não apenas parte da premissa de que Sophia seja uma entidade personificada, ao menos de acordo com o Direito daquele país, mas também coloca em discussão os possíveis direitos e deveres civis assumidos pela nova pessoa eletrônica.

Além disso, ao ganhar a cidadania fez com que Sophia tivesse mais direitos do que as mulheres sauditas. A robô pode se locomover sem permissão de um guardião do sexo masculino e pode se apresentar com rosto e corpo descobertos. Recentemente, o país concedeu às mulheres o direito de dirigir e assistir eventos esportivos em estádio.

Você sabe distinguir o comportamento de robôs nas redes sociais? No artigo de hoje vamos te ajudar nessa difícil missão. Vem com a gente...
A inteligência artificial, atreladas a robôs na área da saúde, pode “re-humanizar” a assistência à saúde

Maior parte da interação na internet vem de robôs

Segundo o último Incapsula Bot Traffic Report, estudo destinado ao levantamento de estatísticas do tráfego de contas automatizadas na internet, divulgado em 2016, apenas 48% da atividade online vem de humanos, enquanto 52%, ou seja a maioria,  fica a cargo de robôs.

Com a carga negativa que os bots vêm ganhando nos últimos anos, graças à acusações de participação em campanhas de desinformação, esses números podem assustar num primeiro momento. Mas eles estão dentro de um território de terminologia confusa, em que uma mesma palavra é utilizada para definir ferramentas bastante distintas entre si.

É com os social bots, no entanto, que os bad bots ganham maior força hoje. O surgimento deles está associado à ampliação da abertura das APIs de redes como Facebook e, principalmente, o Twitter, onde eles mais se aglomeram. Para esclarecer, API é Interface de Programação de Aplicativos, que permite que desenvolvedores ampliem suas funcionalidades padrão.

Os bad bots são perfis automatizados que, ao assumirem uma identidade falsa, ou tomarem o controle de uma conta antiga e inativa e agirem como pessoas reais, atuam em mídias sociais com a produção e disseminação de conteúdo propositalmente falso ou enganoso.

Outro agravante é que esses bots são também capazes de simular uma aprovação ou desaprovação inexistentes a certas assuntos, dando capilaridade a eles. Os social bots direcionados ao discurso político e à influência do resultado de determinado pleito já ganharam uma denominação à parte e passaram a ser chamados de political bots.

Um fenômeno comum entre os social e political bots é a formação de botnets – que em uma tradução literal, é redes de robôs – o que já era observado, ainda que em menor escala, entre os spammers. Essas redes são formadas por um número massivo de contas criadas para amplificar um mesmo conteúdo. Esses perfis têm poucos seguidores e costumam seguir apenas aqueles que fazem parte de uma mesma rede de disseminação.

Por fim, existem os cyborgs, contas marcadas pelo hibridismo entre a atividade automatizada e a coordenação humana, e que podem servir a objetivos diferentes. Os cyborgs podem surgir graças a um desejo de se postar mais conteúdo em menos tempo, ou à necessidade de se agendar postagens, para que a conta demonstre ter uma interação constante.

Robôs do bem

Ao contrário do medo comum de que máquinas substituam trabalhadores humanos, a inteligência artificial atreladas a robôs na área da saúde pode “re-humanizar” a assistência à saúde. A medicina evoluiu muito nos últimos anos. Com os avanços da tecnologia, muitas doenças foram erradicadas, outras, consideradas incuráveis, são facilmente tratáveis.

A tecnologia também ajudou a prever a pandemia do coronavírus na China. A healthtech canadense BlueDot divulgou, no dia 31 de dezembro de 2019, para sua base de clientes que um surto da doença estaria a caminho. A empresa usa técnicas de processamento de linguagem natural e machine learning para analisar uma base de dados com várias fontes.

Inteligência Artificial já faz parte do nosso cotidiano e está cada vez mais inserida em nossas vidas. No campo da saúde, já toma conta de examesdiagnósticos e prontuários. Como exemplo podemos citar o supercomputador inglês Deep Mind, que registrou informações de 1,6 milhão de pacientes atendidos no National Health Service (NHS).

A partir dele foi possível desenvolver novos sistemas de apoio à decisão clínica. Por meio de análise de dados de pacientes foi possível gerar alertas sobre evolução de quadro clínico, evitar medicações contraindicadas ou conflitantes e informar aos profissionais de saúde sobre o estado dos atendimentos.

No Brasil, em 2016, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) criou o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde. O Cidacs realiza estudos e pesquisas com base em projetos interdisciplinares originados na vinculação de grandes volumes de informações.

Dados de saúde e políticas sociais de mais de 100 milhões de brasileiros contemplados em programas sociais estão unificados em uma base que preserva a confidencialidade de todas as informações coletadas. Além disso, o Cidacs ainda desenvolve novas metodologias investigativas e promove capacitação profissional e científica.

Outro exemplo positivo são os chatbots. De acordo com a empresa de consultoria inglesa Gartner, em 2020, 85% de todo relacionamento entre clientes e empresas foi feito sem qualquer interação humana, por meio de chatbots que usam inteligência artificial.

O importante é entender que essas tecnologias estão cada vez mais presentes em nosso dia a dia, e vão ficar ainda mais inteligentes como assistentes. O importante é saber como as usar de forma correta e sem malefícios para a comunidade. Para não ficar por fora dos avanços da tecnologia, já sabe, siga o Tag Chat nas redes sociais e se inscreva para receber o nosso newsletter. Até o próximo artigo.